Show termina em confusão em Marabá

Show termina em confusão em Marabá

17/11/2018 0 Por Redação

Segundo policial civil sondado pelo portal Correio de Carajás, show estava irregular; organização nega

Com ingressos totalmente esgotados, show que estava acontecendo nesta sexta-feira (16) e madrugada deste sábado, em uma casa de eventos da Av. Sororó, núcleo Cidade Nova, em Marabá, teve de ser interrompido com apenas 20 minutos de duração. Isso porque uma operação conjunta da Secretaria de Meio Ambiente (Semma), Polícia Civil e Polícia Militar esteve por lá e teria identificado uma série de problemas que inviabilizariam a permissão de continuidade. O que houve em seguida a saída das autoridades do local foi um quebra-quebra e saque das bebidas do bar ali montado. As imagens da selvageria estão circulando na internet, em redes sociais e grupos de WhatsApp.

Coube ao artista de renome nacional, que era a atração principal, anunciar que o show não continuaria, pois a licença conseguida pelos organizadores era para um show em ambiente fechado e não em ambiente aberto. A partir dali, com as pessoas ainda perplexas e outras vaiando, ele deixou o local, junto com a sua equipe, em uma van.

A partir desse momento e quando as autoridades já não estariam mais ali, as pessoas que restaram começaram a lançar ao ar cadeiras e mesas de plástico, latas de bebida em direção ao palco e a outras pessoas. Os registros são de ferimentos leves, a quem foi atingido. Um grupo de mais de 20 pessoas também invadiu o espaço do bar improvisado, e começou a roubar bebidas, distribuindo a quem encostava. Dois funcionários do espaço nada puderam fazer. As imagens circulam nas redes sociais nesta manhã de sábado.

Segundo o estudante João Vitor Lemos, que estava no local para assistir o show principal, o evento estava mal organizado e com falta de segurança. “Foi um tumulto generalizado, as pessoas jogaram latinhas no palco, cadeiras, mesas, baldes, quebraram as estruturas e derrubaram a tenda”, Disse, ainda, o estudante, que se sentiu lesado e que pretende pedir o ressarcimento do valor do ingresso. “Paguei caro pelo ingresso para chegar e não ter show, apenas essa bagunça. A área vip estava misturada com pista, para que vendem ingressos com preços diferentes”.

Polícia

O portal de notícias local Correio conversou agora pela manhã com a superintendente de Polícia Civil do Sudeste do Pará, delegada Simone Felinto, sobre o ocorrido. Ela explicou que uma equipe multidisciplinar estava de plantão na madrugada e passando em vários eventos. Que sobre o show, essa equipe, com policiais civis, militares e agentes da Semma haviam recebido denúncia de menores de idade no evento, o que foi realmente constatado.

Que embora o show tivesse as licenças necessárias, estava ocorrendo em desacordo com o que preconizam essas licenças, a começar pelo som acima do permitido para aquela área que é residencial. A aferição foi feita por três vezes com o equipamento específico e em todas o som continuava acima do permitido.

Questionada se o caminho mais apropriado era mesmo o do encerramento sumário de um show com milhares de pessoas e que já estava em andamento, a delegada disse que não poderia emitir julgamento, visto que não estava no local, mas asseverou que os policiais envolvidos tinham total preparo, autonomia e legitimidade para avaliar isso e tomar a decisão nesse sentido.

Crimes

Sobre o quebra-quebra, ameaças, possíveis agressões e o furto da mercadoria do bar do show, a delegada respondeu ao Correio que um boletim de ocorrência já foi lavrado e que cada crime será investigado. Garantiu, ainda, que os vídeos serão analisados para a tentativa de identificação e responsabilização dos envolvidos.

O portal não conseguiu contato com o comando da Polícia Militar, mas um dos policiais que participaram da ação, contou a um repórter extraoficialmente que a equipe estava realizando a operação Hypnus, quando foi alertada quanto à presença de menores de idade no local e que isso foi confirmado.

“A Semma por três vezes auferiu o volume som, estava muito acima do autorizado, caracterizando assim poluição sonora. O cantor nem era para ter subido ao palco, já tinha sido informado aos organizadores que estava irregular, mas quiseram enrolar, dizendo que o dono da festa viria para se responsabilizar e mostrar o documento (coisa que três pessoas falaram comigo e ninguém mostrava nada). Resumindo, o cara cantou cinco músicas, eu subi no palco e mandei desligar o som, ponto final. Terminou tudo na delegacia com todo o procedimento feito”, narrou o policial.

Sobre burburinhos no local de que o show só teria sido interrompido por não ter sido pago propina aos fiscais, o mesmo policial defendeu: “Essa situação de ‘propina’ eles sempre vão alegar, as pessoas que se diziam parte da organização falaram comigo, com a Polícia Civil e com a Semma, e em nenhum momento foi oferecido ou pedido nada, apenas determinado que a festa terminasse”.

Organizadores emitem nota sobre o ocorrido

Procurados pelo portal, os organizadores do show disseram que iriam se manifestar por nota. O texto chegou à redação por mensagem de WhatsApp, e sem especificação da pessoa, pessoas ou empresa responsável, apenas assinado como “Organização Show Jerry Smith”. O texto diz o seguinte:

“Os organizadores do evento vêm, por meio desta nota se retratar e explicar sobre o fatídico ocorrido na noite anterior, durante a apresentação do cantor Jerry Smith. Como podem ver, tínhamos TODAS as autorizações legais necessárias para que o evento funcionasse. E sobre os menores, foi avisado na rádio e em redes sociais que estes só entrariam com os pais ou responsáveis mediante termo de autorização, termo este disponibilizado o modelo nas redes sociais, como também pode ser comprovado. Ocorre que, nós, como organizadores, não tínhamos como impedir a entrada de um ou outro menor que adentrou na casa de eventos por meio ilegal, burlando nossa segurança. A organização quer, deixar bem claro que o evento foi impedido de continuar em virtude da presença de alguns menores sem responsáveis legais ou autorização e NÃO por falta de alvará de funcionamento para local aberto”.

Com Correio de Carajás